sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Catastrofe Natural?


Os falsos numeros continuam percorrendo absurdamente no Brasil, no caso baiano não é diferente. A violencia explode em ruas baianas, enquanto que policias militares com armas e capuz ocupam a Assembleia Legislativa, atras do aumento salarial.
As noticias começam a assustar outros estados, falidos de segurança, e chegam a questionar o papel da PM na sociedade, organização que foi utilizada durante a Ditadura de 64.
Os numeros da greve chega ao extase, em pleno centro regional de Salvador o caos cresce, pessoas ficam trancadas dentro de casa e ainda assim temendo o bruto saqueamento de suas casas, os numeros de carros roubados passaram de 300, o homicidio chegou a 101 nas primeiras semanas com o crescimento maior do que o indicado em jornais televisivos. No interior os casos são ainda mais graves, alem de invasóes domiciliar e pertences roubados, crianças e mulheres são estrupadas e diversas tem abuso sexual dentro de casa, frente a pais e maridos.
O panico generalizado de maior magnitude, alem das partes turisticas, corre em regioes bem afastadas como fronteiras que começam a ter alta de segurança, predios, monumentos, casas e patrimonios historicos são depredados, e o suicidio tem altos indices, desde jovens a idosos, agencias bancarias e outros estabelecimentos saqueados, homens armados e encapuzados cruzando ruas, tiros são desparados constantemente.
Diante disso, o governo federal, teme a possibilidade de que a greve da PM espalhe por outros estados, principalmente os com graves falta de segurança como Rio de Janeiro (onde ja existe assembleia marcada e ja com algumas concluidas) e São Paulo. Visto que tais greves ja atuou em estados como Rondonia, Maranhão e Ceará, a possibilidade de novas é questionaveis.
As negociações poderiam ser melhores, mas para acabar com a greve, há reivindicações, como a ANISTIA aos lideres do movimento e policiais acusados de envolvimento com gangues e assassinatos.
O governo é culpado, é, mas não é com vandalismo que trabalhadores protestantes devem se organizar, nem mesmo beneficia-los com a anistia dos fatos ocorrentes nestes dias por grande culpa deles.
...

Enquanto isso a greve tende acabar na Bahia e começa no Rio de Janeiro, 59 policiais presos e mais 100 indicados por crimes militares. Nove dos 11 policiais considerados lideres do movimento são os unicos presos, os outros 50 estão presos administrativamente. Mutos sendo procurados por envolvimento com milicias e assassinatos.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Homenagem

Por Hugo SorianiPágina/12 (*)(Reproduzido de Carta Maior, de 24/03/2011)

Não nomearei a ninguém porque estas linhas são para todos. Alguns já não estão conosco porque morreram nestes últimos anos, e outros morreram na prisão, fuzilados pela repressão ou pela pena.

Vou lembrar os presos políticos da ditadura militar.

Eram mais de dez mil pessoas que tinham sido detidas antes do nefasto 24 de março. Logo já não houve mais presos políticos, somente desaparecidos.

Nestas prisões conviveram nove, dez, doze anos, rapazes de vinte anos, pouco mais pouco menos, com homens de cinquenta, às vezes de sessenta, pelos quais os mais jovens sentiam devoção e respeito já que vinham de outras lutas, sobreviventes de um país assolado pelas ditaduras.

Eles tinham lutado contra a de Lanusse, e alguns contra a de Onganía, e contavam experiências que os mais jovens escutavam com avidez, curiosidade e impaciência.

Não nomearei a ninguém porque foram todos os que, hora após hora, dia após dia, ano após ano, resistiram em conjunto à política de extermínio que se instrumentou para destruí-los. Os que inventaram um código para se comunicar no silêncio, os que violaram todas e cada uma das regras e proibições que os guardas impunham diariamente. Os que com valentia, engenho e audácia inventaram os truques necessários para sobreviver sem perder suas convicções.

Os que não assinaram nenhuma nota de arrependimento, apesar das represálias.

Os que na obscuridade dos calabouços de Rawson foram golpeados até desmaiar e reanimados com água gelada em madrugadas com quinze graus abaixo de zero, para logo deixá-los nus e repetir a história no outro dia, no outro e no outro.

Os que denunciaram suas torturas ao monsenhor Tortolo, no cárcere de La Plata, e escutaram como resposta que “Videla é ouro em pó” dos lábios do monsenhor. Os que escreveram minúsculas notas em finíssimo papel de cigarros para comunicar ao exterior o que acontecia atrás dos muros.

Os que, em dias de fome, compartilhavam a comida escassa.

Os que golpearam os jarros de metal contra as grades festejando o triunfo da Revolução Sandinista na Nicarágua, em julho de 1979, apesar dos golpes e gritos dos carcereiros, que tratavam de impedi-los.

Os que choraram a morte de John Lennon, em dezembro de 1980, porque junto a ele imaginaram que não eram os únicos sonhadores.

Os que, no cárcere de Magdalena, conheceram em pessoa a ferocidade do general Bussi, antes que fosse o célebre carniceiro de Tucumán.

Os que foram reféns em Córdoba durante o mundial, sob ameaça de fuzilamento, enquanto os genocidas se abraçavam com Menotti.

Os que foram retirados do pavilhão da morte na prisão de La Plata e, sabendo que iam ser fuzilados, se despediram de seus companheiros cantando suas consignas.

Os que sobreviveram nesse pavilhão e denunciaram o que estava acontecendo, pondo em risco suas vidas.

Os que no pátio da prisão de Córdoba viram morrer companheiros e não baixaram o olhar, como queriam os policiais para humilhá-los.

As mulheres presas no cárcere de Devoto, que durante anos resistiram a práticas vexatórias. Essas mesmas mulheres que, inteiras e dignas, já livres, escreveram um livro imprescindível: Nós, presas políticas.

Os que na prisão de Caseros viveram amontoados em celas miseráveis, sem saber quando era noite ou quando era dia.

Os que não perderam o humor, sobretudo o humor negro, e riram de suas próprias desgraças.

Os que, em julho de 1983, na prisão de Rawson, com mais coragem que inteligência, decidiram acompanhar o jejum que Pérez Esquivel realizava em Buenos Aires, sem que ninguém, mas ninguém soubesse o que estavam fazendo. E continuaram o jejum dez dias mais do que ele porque, devido ao isolamento a que estavam submetidos, não souberam que o Prêmio Nobel já havia suspendido a greve ao conseguir seus objetivos.

Os que escreviam más poesias, mas foram poetas.

Os que sabiam de memória o Gênesis ou o Êxodo, porque a Bíblia foi a única leitura permitida. E às vezes nem isso.

Os que cantaram, desenharam, sonharam e atuaram, inventando a maneira de se esquivar da morte ou da loucura.

Os que em todas as prisões, em todas, só tiveram durante anos uma parede branca a dois metros de distância como único horizonte.

Os que durante nove, dez, doze anos não fizeram amor nem tomaram um copo de vinho ou uma taça de café.

Os que não viram crescer seus filhos.

Os que saíram com a roupa do corpo e sem ter uma casa para onde ir ou um trabalho para sobreviver.

Os que foram recebidos com desconfiança, porque eram sobreviventes.

Os que sentiam toda a culpa do mundo por esse mesmo motivo.

Para todos eles, presos políticos da ditadura, que hoje, há trinta e cinco anos do golpe militar, são testemunhas dos julgamentos dos genocidas, militantes em seus bairros, representantes em seus trabalhos, funcionários comprometidos e trabalhadores da política em seu sentido mais nobre, qualquer que seja o lugar para onde a vida os levou. Para eles, estas linhas de lembrança e de homenagem.

(*) Gerente geral do jornal Página/12, ex-preso político, lutou contra a ditadura argentina. (Este artigo foi publicado pelo diário argentino e por Carta Maior no dia 24 de março, 35º. aniversário do golpe militar que instalou a última ditadura na Argentina. Foi feriado nacional e o povo foi às ruas festejar o Dia da Memória, da Verdade e da Justiça).

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer


Retirado do blog do Jadson

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Imortais

A busca pela imortalidade desde os tempos mais remotos foi um dos principais objetos de estudo do homem. Muitos tentaram chegar a imortalidade, seja por mumificação, rituais e sacrificios humanos, ou mesmo imortalizar-se em páginas de livros, pinturas, e diversos outros tipos de arte. Gilmanesh foi um dos tantos que trilhou essa busca, onde acabou sobrevivendo do grande dilúvio. Porque a busca desenfreada, inclusive pela ciência da juventude, e da imortalidade? A morte em uma floresta é algo necessário para que um processo muito maior, que é a vida, vingue.
Sempre que nos deparamos com a morte, nos desesperamos ao tomar consciência de nossa condição como mortal, porém é um dos atos mais limpos e previsivéis da existencia de um ser. Faça apenas valer a pena.


"Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure."