segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Batman


Nosso querido homem-morcego já ganhou muitas produções para TV, seja seriados, filmes ou desenhos animados, mas com certeza nenhum surpreendeu mais que a adaptação de Christopher Nolan.  Batman Begins com certeza trouxe maior seriedade aos filmes baseados em HQ. Gotham City nunca pareceu tão sombria, e real, diria até que se trata de uma das Cidades do Estado em que eu moro. Apesar da excelente produção (dois filmes em um! primeira parte: Como o Batman foi criado, segunda, como se tornou de fato o herói que Gotham precisa) direção, e atuação de Christian Bale, Morgan Freeman, Sir Michael Caine e Cillian Murphy, Christopher Nolan nos conseguiu surpreender novamente com Batman, O cavaleiro das Trevas. É brilhante a forma em que o Batman se transforma, aos olhos dos cidadãos de Gotham praticamente um anti-herói. A atuação do Coringa é diferente de todas aquelas anteriormente produzidas, onde não passa de um palhaço com truques nas mangas. Seus truques continuam, porém a atmosfera é muito mais densa, ele quer mais é que o circo pegue fogo, e além disso, acende os fósforos, além da morte de Rachel e a criação do Duas Caras. Após essas duas super produções, que renderam diversos fãns, premios, indicações e milhões na bilheteria, começa em aproximadamente 12 semanas (segundo o próprio Nolan) as gravações do terceiro filme da saga do nosso mocegão: Batman - The Dark Knight Rises, com a tecnologia cada vez mais fora acessível, podemos esperar grandes cenas. Já foi confirmada a aparição de alguns personagens como a Mulher Gato (que será interpretada pela querida Anne Hathaway) e Bane (Tom Hardy - sim aquele do Rocknrolla - Eu queria o Vin Diesel), um dos vilões mais violentos que Batman enfrenta. Após dois filmes brilhantes, Nolan terá um grande trabalho para manter o patrão da saga do homem morcego, vamos esperar até julho de 2012 para conferir o que sairá da cabecinha loura desse incrível diretor.

Keanu Reeves diz que saira Matrix 4,5

O actor Keanu Reeves disse ao público que assistia no London School of Performing Arts à ante-estreia do seu novo filme, "Henry's Crime", que os criadores de "Matrix" já escreveram os argumentos de duas sequelas da saga, avançou o site Aintitcool.com.
Segundo o site, Reeves contou que esteve, por altura do Natal, com os irmãos Wachowskis - argumentistas, produtores e realizadores da trilogia Matrix - e que eles lhe disseram estarem a preparar mais dois filmes para a saga.
O plano, conta ainda o Aintitcool.com, será filmar os dois filmes em 3D. No entanto, uma vez que os irmãos Wachowski estão ainda a trabalhar em "Cloud Atlas", a sua próxima obra, não há ainda sequer data para a rodagem começar.

Matrix *--*

sábado, 29 de janeiro de 2011

Look at the stars

A noite é sempre mais escura antes do amanhecer.


Harvey Dent, Christopher Nolan.


Continua...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Felicidade

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Prá que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor

Tristeza não tem fim
Felicidade sim 



Parabéns Antonio Carlos Jobim. 

Era uma vez...

Era uma vez uma garota chama Paula. Sempre incompreendida, por seu sotaque, por suas gírias. Vivia em um lugar nada convencional, cheia de pessoas dos mais diversos tipos, das mais variadas regiões do Brasil. Expirou-se cada molécula em desses tipos diferentes, resultando então nessa pessoa esquisita, e até um pouco feia, mas sobretudo incopreendida. Muitos que a conheciam, se apaixonavam, pela excentricidade, e pelo seu imediatismo: puramente rock 'n' roll. "Mas Narciso acha feio o que não é espelho" e essa excentricidade não causou apenas paixão, causou também repulsa. E todos aqueles egocentricos se depararam com o oposto, e se afastaram, por medo. Porém, nossa jovem sobreviveu e sobrevive a todos aqueles que à amam e todos aqueles que a odeia. Hoje completa nada mais nada menos que 457 anos.

Feliz aniversário minha jovem, tenho orgulho (quase sempre) de te conhecer.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Boêmio

"Desde que se fue, triste vivo yo, caminito amigo, yo también me voy." - Caminito


Levantou-se como que por um estrondo muito forte, o silencio. Sua cabeça confusa, sonolenta como sempre onde teus olhos espelhavam insônia.
Virava-se na cama para que talvez viesse uma espécie de sonho para fazê-lo dormir, calculos em vão, olhava para o teto, deitado sobre sua cama, era o mesmo, o mesmo quarto de sempre, com um cheiro de cigarro espalhado no ar, vindo do quarto ao lado, o quarto não mudaria sozinho e pela tua vontade não o fazeria mudar. Nada no mundo era tão agradável quanto a energia voltada nesse quarto, a estabilidade encontrada pelas roupas absurdamente voltadas ao chão, restos de caixas e teu proprio corpo sobre o abismo do lugar, por fim, esta era tua organização, coisa que deixava como esta e até mesmo não gostava que ninguem mexesse por ali.
Tinha apenas uma janela, a qual porduzia luz, infelizmente nem tanta luz, dava para o vizinho ao lado, um vizinho que nunca viu, alguem assim com a habilidade de ocultar-se tambem.
Sua esquisitice o pertubava, não gostava de nada mais fora de teu quarto, as vezes ele saía até perto da praça, caminhava como um perdido, a toca posta a cabeça, uma bengala, que até hoje nao descobri porque a usava, jovem como só ele sem esta necessidade.
Era como um refugio, talvez para tentar-se criar um personagem com sua própria personalidade, para distrair-se cosigo mesmo, passar a imagem de alguem invisivel talvez, dá ultima vez que entrei no quarto do rapaz, vi estranhas rachaduras na parede, meticulosamente perfeita como um desenho movendo sobre ela, estupenda. Vivia conforme alguns anos passados, a única coisa que tinha de moderno em sua casa era um radio velho, ja ultrapassado que poderia chamar-se da coisa mais moderna que teria em teu quarto. Insistia em comprar Cd's, Lp's, livros velhos de uma banquinha na rua, era das antigas, os vizinhos o achavam esquisito, mas estranho era ve-los aguardando a chegada do rapaz na porta do apartamento, como se tivessem esperando uma celebridade estantânea chegando tranquilamente em sua residência, isso era estranho, apesar de insinuar a estranheza do rapaz, que vamos dizer que era um pouco exagerado em seu ser sombrio. Alguem subitamente parado no tempo, não necessitava de uma vida online para ocultar-se em algo que queria ser, mas fazia o que queria em sua forma estável, algo que eu admiro nele, vida sem ação, apenas vivendo de um modo mórbido inexistente em nossa sociedade excessivamente plugada.
O visinho ao lado nunca aparecia na janela, para aparecer, fechava a janela e por um fresta minúscula, vasculhava e observava a tranquilidade do movimento no quarto ao lado, apesar de tentar observar o inevitável, ele nunca tentou provaca-lo ou falar dele para outros, observar a estranhesa do quarto do rapaz, era como um passatempo, pois este não saia por estranhesa ou como esse rapaz, teu vizinho, mais ficava em teu quarto trabalhando incessantemente, o trabalho sempre o impedia de fazer o queria. Penso eu, que vizinhança estranha essa, um ocultava-se como pura loucura, outro como puro trabalho e eu como um bom vizinho xereta a espreita das artimanhas de meu novo personagem, o vizinho.
Por fim, o cheiro de cigarro no quarto aumentava ainda mais, era constante e não o incomodava, pois tambem era um usuário, mas mesmo não ligando para si mesmo, tinha medo de incomodar teu vizinho xereta, ou talvez para chamar a atenção e ser criticado por ele, ou simplesmente para perguntar se tem um para dar.
O vizinho continuava a façanha de tentar observa-lo, sempre pela manha quanto abria a janela, incansavel, até em dia de chuva, apesar de tambem ser como eu e admirar o modo de vida esquisita do rapaz, jamais pensava em se comunicar com ele, nem mesmo um "oi", isso não era pela ocupação no trabalho, mas sim o orgulho mesmo.

Em uma das noites, o rapaz entrou no quarto acompanhado de uma mulher, que eu não consegui ver de imediato, mas consegui notar uma boa aparência.
Ela morreu na manha seguinte. Eu lembro disto, o  rapaz chorava pelos cantos do quarto ao meu ver, desesperado. Não ocorreu nem um grito, nem nada, apenas uma morte, insana, quieta, morta. O mais estranho que aconteceu foi ele deixar o corpo ali em cima da cama, como se nada estivesse acontecido. Desceu foi até algum lugar e voltou de carro com a policia, chegando lá, retiraram o corpo, e uma arquibancada ao redor, vendo o acontecido fato do rapaz estranho.
Por análises, parece que teve uma espécie de infarto. Estranho.
A última vez que vi meu ilustre visinho, ele estava sentado no banco de um praça, com uma carta na mão, mesmo assim, sua atenção estava longe da carta, era coberto pela fumaça de seu cigarro , teus olhos pensativos, minha curiosidade perguntava em que pensava, não pude entender o sinônimo da carta, nem do olhar, nem do cigarro e pouco menos de seu interresse pelo banco da praça.
Apenas sei que ele morreu no dia seguinte, foi procurado pela polícia para fazer um depoimento e o encontraram ali, na cama de braços cruzados. Até hoje tenho essa foto, minha carreira de fotografo valeu, talvez para lembrar deste meu vizinho que eu nunca disse um "oi".
Tomou calmantes, morreu dormindo, um bilhete no chão ao lado da cama "Venda o quarto para o vizinho ao lado"
O vizinho comprou o quarto mesmo! Não mexeu em nada, deixou como estava e hoje não sei mais sobre este, ou sobre o quarto, nem mesmo sobre as cartas do morto que ficou com o vizinho. A bagunça continuou, o cheiro de cigarro cintinuou, vindo do quarto ao lado e do novo dono do quarto que tornou-se usuário, por fim, eu comprei o quarto do vizinho do morto.  E as cartas? Não sei.

Priscila Faria

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Egolatria e outras bobagens

Meus caros, é como dizem: quanto mais conheço os homens, mas amo os animais. E não, não é uma frase feminista reclamando dos homens. É uma frase humana, reclamando da humanidade. Egolatria deve ser um dos piores defeitos dos seres humanos, provavelmente também é uma das caracteristicas que nos torna "humanos". É fato: seres humanos se acham o centro do universo. Tanto é verdade que criamos religiões baseadas neste preceito: somos tão imensamente importantes dentro de um universo infinito que existe um Deus olhando somente para nós; Sim senhores, um Deus, e ele nos escolheu, porque somos nobres. Desculpe, mas isso é merda. Merda vomitada para obter controle. Querem mesmo que nós acreditemos que somos especiais. Porém, criatura magnifica deste universo, tenho uma noticia, talvez pouco agradável: você nada mais é que um acidente cosmico, então, depois de ter um dia incrivelmente filha da puta, não grite: "porquê EU Deus?". Simples: acidente. Se não fosse você, seria outro coitado, supere. As pessoas querem ter o controle. Porém é fato: não temos. Somos marionetes. Eu, você, o mendigo deitado ali na esquina e o resto do mundo inteiro. E todos sabemos disso. E ai chega a parte onde quero chegar: para obter a falsa idéia de controle, tratamos as pessoas por assim dizer...em situações de servidão como por exemplo, porteiros, empregadas domésticas e frequentemente atendentes de telemarketing como insetos. Pois temos controle sobre insetos. Não que eu me importe, sempre haverá aqueles utilizarão outros para servir como escada, mas paciência tem limite.Sim senhores, minha fé na humanidade está abalada, são tempos difíceis para os sonhadores. Até porque, mesmo pessoas que eu conheço e identifico como amigo, possuem uma falsa idéia de moral. Falam de dignidade e moral. O que eu respondo? Essa dignidade e moral nem é sua, "você usa tanto uma mascara que, acaba esquecendo de quem você é.". Não vim pra criticar coisa nenhuma, nem tentar mudar o ideal de ninguém. Só quero dar a todos um pouco de perspectiva. As pessoas estão cada dia mais inflexíveis. Só quero dizer: existem coisas maiores. O universo é maior que o seu quintal. Nem tudo é sobre você.



Cresça.

sábado, 8 de janeiro de 2011

A Sombra do Samurai

Realizado por Yamada Yoji
Japão, 2002 Cor – 00 min.
Com:
Sanada Hiroyuki, Miyazawa Rie, Kobayashi Nenji, Tanaka Min, Osugi Ren, Fukikoshi Mitsuro, Ito Miki
Japão, final do Período Edo. Iguchi Seibei (Sanada) é um samurai viúvo que vive numa pequena aldeia, com a mãe e duas filhas pequenas. Ao baixo escalão a que pertence corresponde um rendimento reduzido, insuficiente para cuidar da família. De dia trabalha para o Senhor, efectuando registos e inventários contabilísticos, e o tempo que lhe sobra é aplicado em tarefas do lar, agricultura e artesanato. O seu estilo de vida fá-lo ganhar a alcunha de “Tasobare” (crepuscular) e faz com que Seibei se torne descuidado no que toca à higiene e ao aprumo adequados à sua posição. Iinuma Tomoe (Miyazawa) é vítima de violência doméstica e divorcia-se do marido, após o que começa a frequentar a casa de Seibei, de quem é amiga de infância, e a ajudar nas tarefas do lar. O irmão dela, Michinojo (Fukikoshi), sugere que se casem. Entretanto, Seibei ganha notoriedade como espadachim e é compulsivamente convidado para uma missão de onde poderá não voltar.
«Tasogare Seibei» foi um sucesso de bilheteiras no Japão e na Ásia. O filme de Yamada Yoji, que também co-escreve o argumento, adaptado da obra do escritor Fujisawa Shuhei, foi considerado o Melhor Filme Asiático nos Hong Kong Film Awards e falhou duas das 15 nomeações para os prémios da academia japonesa, sendo galardoado com as principais distinções, incluindo Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor e Melhor Actriz. Esteve também presente nos prémios da Academia das Artes Cinematográficas Americanas, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro (prémio que acabaria atribuído a «As Invasões Bárbaras», do Canadá), num ano onde, curiosamente, também competiu «O Último Samurai». Para além do termo que se repete nos títulos, os filmes passam-se na mesma época — «A Sombra do Samurai» antes da Restauração Meiji, que marca o declínio e a extinção destes guerreiros; o veículo de Tom Cruise, durante o seu início — e ambos contam com a presença do actor Sanada Hiroyuki. O público do Far East Film Festival de Udine elegeu «A Sombra do Samurai» como melhor filme em competição na última edição desse evento, onde emocionou uma vasta plateia (e três balcões).

Tasogare Seibei
Sanada, à beira dos 44 anos, “discípulo” de Sonny Chiba, foi um actor prolífero em filmes de acção durante os anos 80, no Japão, mas também em Hong Kong, (creditado como Henry Sanada, para o mercado internacional), de onde nos lembramos sobretudo de «Ninja in the Dragon's Den» (1982) — ao lado do “ex-futuro Jackie Chan”, Conan Lee — e «Royal Warriors» — no início da carreira de Michelle Yeoh, interpretando um polícia japonês em busca de vingança. Com o passar dos anos, o actor deixou de estar tão associado ao cinema de acção, sendo usado no cinema “arthouse” de Ichikawa Jun ou no horror de «Ring» (1998). O seu próximo filme é um épico histórico realizado pelo chinês Chen Kaige, com a estrela de Hong Kong Cecilia Cheung Pak-chi e Jang Dong-gun, da Coreia do Sul.  
Sanada não precisaria de provar a sua versatilidade ou que sabe representar, mas a sua presença é crucial para que o 77º filme de Yamada Yoji, conhecido no seu país pela realização de quase todos os títulos da célebre série “Tora-san”, funcionasse perante as audiências. Ele dá vida a uma personagem raramente vista num filme de samurais, alguém só preocupado com o seu dia-a-dia, sem qualquer ambição ou ensejo de fuga à rotina, não considerando sequer que poderá ter outros talentos e que os mesmos lhe permitam dar melhores condições à sua família. Está longe de ser o herói típico — mas como saímos do âmbito do “cinema de acção” essas “normas” deixam de vincular as personagens —, tudo fazendo para evitar destacar-se da mediania e banalidade, perante os seus líderes. A renitência em cumprir a missão que lhe é atribuída e que conduzirá ao impressionante final, até surpreende e poderá, de algum modo, incomodar, na medida em que Seibei poderá parecer covarde aos olhos do espectador. Não o é; é conformista e dedicado de corpo e alma à família (que seria das duas crianças pequenas e da velhota senil sem ele?), ao ponto de considerar não poder aceitar o amor de Tomoe — ou a mera utilidade da sua presença numa casa desgovernada.

Tasogare Seibei
Tasogare Seibei
 O título e o poster podem induzir espectadores mal informados em erro (mas a culpa da má informação é de quem?), ficando à espera de um filme de acção movimentado ou pelo menos com uma ou outra batalha épica, plena de violência e sangria a tingir o ecrã. Mas estamos antes perante um drama que por acaso se centra numa personagem que é samurai. O texto toma o seu tempo, apresentando demoradamente a rotina diária de Seibei. Os laivos de modernidade são frequentemente referidos, mas talvez seja um exagero falar-se em “revisionismo”. Os filmes de época nunca deixaram de permitir tecer comentários sobre a sociedade do presente e «Tasogare Seibei» não está desligado do Japão dos dias de hoje. Como se disse acima, o “género” é apenas o pano de fundo; a personagem de Seibei não está distante de um contabilista num escritório de uma Tóquio moderna. A época onde a acção se passa é importante na medida em que representa uma viragem de costumes na sociedade nipónica, anunciando a democratização e a abertura ao exterior. Não estamos habituados a ver, num filme desta natureza e passado nesta época, uma mulher a divorciar-se — um elemento que é tratado casual e naturalmente pelo guião, que nos poupa a questões processuais. O “conformismo”, a aparente inacção da personagem principal, também pode ser visto como uma forma de resistência (passiva) perante tradições que deixam de fazer sentido, à medida que as sociedades evoluem, como esperar que um guerreiro caído em desgraça tenha a decência de se suicidar e que o clã tenha de o convencer à força.

Este é pois um “drama samurai”, que enternece mais do que entretém, envolve e seduz com a sinceridade de um punhado de personagens, ao invés de impressionar com os gritos e com a brutalidade das lâminas afiadas. Mesmo o confronto com o “vilão” — ou a personagem que num filme de género ocuparia esse papel na estrutura convencional: Zenemon, interpretado por Tanaka Min — contribui para esta caracterização da obra de Yamada, que apostou num registo realista nos embates com espadas. Tal como o guerreiro usa a lâmina como extensão do braço e do corpo, o realizador usa a infrequente acção como extensão do drama. O poder dramático do filme revela toda a sua força com a sua capacidade de comover em modo posfácio, com uma voz off que fala do futuro, mal nos dando tempo de digerir o final presente. 

Assistam pela 1000 vezes igual eu.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Musashi

Se alguma vez se perguntou qual era o samurai mais emblemático do Japão, Eiji Yoshikawa (吉川 英治,) publicadou originalmente em pequenos capítulos diários no jornal Asahi Shimbum, entre 1935 e 1939, aquilo que seria a mais bela homenagem ao guerreiro mais apreciado da Historia do Japão: Miyamoto Musashi.

A obra epónima “Musashi” encontra-se dividida em vários “livros” incluindo:
Livro 1. A Terra, Livro 2. A Agua, Livro 3. O Fogo, Livro 4. O Vento, Livro 5. O Céu, Livro 6. Sol e Lua, Livro 7. A luz perfeita.

Essa divisão é a dita original, sendo que em função da editora é possível encontrar a obra completa num só livro, dividida em dois: “A pedra e o sabre” e a “luz perfeita”, ou com a divisão original.

O género da obra é o reflexo da personalidade da personagem que narra, um condensado de lutas de espada com reflexões filosóficas, o retrato do percurso que leva os grandes para a glória que lhes era predestinada, pela essência do génio que dormia neles. Musashi é um percurso iniciático, o caminhar de uma reflexão sobre a excelência e a autodeterminação, um condensado do espírito marcial japonês aliado ao ritmo de uma história movimentada pela sua dimensão épica.

A história começa no fim da batalha de Sekigahara 関ヶ原の戦い que vê nascer para o Japão uma era de unificação sob o reino dos Tokugawa. Mas para Takezo Shinemen e Matahachi Hon’iden o momento é grave, fazendo eles parte das tropas de Hideyoshi, é deitado no chão fingindo a morte, que os dois esperam pacientemente pela partida dos soldados inimigos. Recolhidos por duas mulheres cuja principal ocupação é a pilhagem de cadáveres, os dois jovens da aldeia de Miyamoto são mutualmente o espelho um do outro. Quando Matahachi decide abandonar a vida que lhe era predestinada em Miyamoto para ficar nos braços da ladra Oko desleixando a sua promessa de casamento com a doce Otsu. Takezo decide continuar por si própria o seu caminho, o tigre japonês persegue o caminho que o seu corpo de gigante lhe predestinou voltando para a sua aldeia, deixa por traz o seu amigo cujos horizontes se revelam mais obscuros pela triviliadade e fraqueza da sua escolha.



Porém, Takezo é ainda imaturo e arrogante. A sua prodigiosa força física não lhe permite abrir-se ao caminho da reflexão. Voltando por si próprio para a aldeia, é condenado como um desertor e o responsável pelo desparecimento de Matahachi, torturado Takezo é obrigado a comprometer-se com si próprio e a sua condição e, libertando-se, o animal selvagem se compromete a seguir a via do guerreiro, aquela que dará sentido às suas garras e que o fará esquecer o seu nome para renascer com o nome de Miyamoto Musashi, uma alma imatura que se forja a cada passo no equilíbrio perfeito entre sabedoria e arte da espada.

O relato da história é em grande parte fictícia mas a essência da evolução da personagem é claramente fiel à história original. O autor dos “cincos anéis” ganha a densidade psicológica que a historia não lhe preservou, demonstrando ao longo da obra os altos e baixos de um processo de raciocínio em que cada viagem e aventura leva a uma nova conclusão sobre o ideal da Via da Espada. O leitor encontra-se na mesma posição, é com febrilidade que as peripécias do herói nos levam a contemplar a magnificência dos combates digno de cativar qualquer amador de mangas shonen, a reflexão filosófica que alimenta a nossa sede de saber, e acima de tudo a contemplação da construção da mente de uma personagem que ganha sabedoria conhecendo-se melhor a si própria despertando pela reflexão a nobreza de alma que já residia no seu intelecto.
A obra ainda possui um forte carácter sentimental, sendo que a história de amor do Musashi ganha em intensidade e dramatismo ao longo da obra.


O que mais sobressai da obra é a sua acessibilidade. Com efeito, por experiência própria, o livro consegue reconciliar com imensa facilidade qualquer jovem leitor com a literatura. Aqui a evolução da personagem imatura leva a um processo de auto identificação forte, em que a relfexão nunca se torna asfixiante pela importância dada à estratégia dos combates e à imprevisibilidade das peripécias da história. Nesse aspecto a obra poderia comparar-se aos três mosqueteiros ou aos romances dos cavaleiros do Rei Artur. Atrevo-me até a considerá-lo como a obra mais “mangaesca” da literatura, tudo na evolução da história parece respeitar os códigos do típico shonen, com a sua personagem imatura com potencial que se torna ao longo da história mais forte e mais matura.

A obra na minha opinião revela-se simplesmente imprescindível para qualquer amante do espírito do bushido.

Matthieu Rego - Bungaku

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

"Maria Baiana" - Conto

Enfim não terminei o conto "lembranças do velho" que começei em 2008 para vergonha minha, mas iniciei outro ano passado chamado "Maria Baiana" que espero terminar este ano, enfim ano novo, conto novo.


...

1º Capitulo - Coisas de Maria
A voz saia ligeiramente baixa, saias longa bordo avermelhado, sueter branco, pertencia a uma moça morena, de longos e encaracolados cabelos negros, aquela que abriu a porta quando eu cheguei. Seus olhos castanhos claros, naquela hora constrangidos de ver tais estranhos na porta logo se abaixaram e nos olharam dos pés a mente ligeiramente e correu subitamente.
De um vento, surgiu uma voz, como a voz daqueles lá de bahia, aproximou-se com um pano de prato nas mãos enxugando-as e pondo-o nos ombros.

"chegue Maria, é o senhor das terras grandes - Disse ela. - Comprimenta o homem Maria.
De beleza tão acanhada que apenas com simples gestos, balançou com a cabeça.
"Oi! - Poucas palavras, mas já podia compreender sua fala, diferentemente de sua tia era um tom mais vagaroso e arretado como diz sua tia.
Ao responder voltou saltitante para dentro novamente.
"Entre, entre! Não repara não, mas minha casa é assim mesmo. Maria larga dos cantos e venha cá fazer companhia aos senhores enquanto vou fazer café.
Maria apenas aproximou-se no pequeno sofá velho, apoiou-se e nos olhou logo abaixou a cabeça.
Aparentemente era timida, pelo menos aos meus olhos, seu olhar embora sinico, tinha olhos grandes e quando mirava com seus castanhos orbes a alguem era uma sensação sensual, mesmo fugindo de seu estado ao apresentar-se.
"olha o cafézinho" - Vinha a mãe, falando daquele mesmo jeito, chamado pornos paulista de baianos, era bonita como a sobrinha, tinha longos cabelos enrolados da cor do céu ao escurecer, com o rosto cansado pelo trabalho, mas ainda com traços atraentes apesar da idade, personalidade forte ao oposto da sobrinha.
"Quantos anos tem senhorita?" - perguntei mesmo sabendo que ela poderia não responder, meu amigo ao meu lado no sofá encarou-a de modo que ela não se constrageu, venho-me contestando o "acanhada".
-Vinte. - Agora pude notar melhor seu tom de voz, erotico, baixo e baiano.
"tão bela és para tão pouca idade" - Nada respondeu por meus argumentos tolos.


Continua
....