sexta-feira, 8 de abril de 2011

Maria Baiana - Conto

" Olá Maria!" - Não hesite e voltei a entrete-la em um assunto.
"Oi Pedro" Onde vai estas horas homem! ´Já é tarde da noite, vai ver as festas?"
"Eu é que digo, o que fazes esta horas caminhando pela rua?"
"Perguntei primeiro" - Respondeu ela, brincando.
"Não nego que estou sem sono e escutando todo esse som é impossivel dormir" - respondi abrindo o portão da casa.
"Eu tambem estou sem sono, gosto de andar de noite com todo esse calor bom"
"Calor bom, esta me matando! " - Indaguei.
"Já que esta aqui, quero desculpar-me de que disse e que fiz ontem." - Apesar de conversar com ela normalmente, ainda sim sentiu meio acanhado pelo drama que passei ao longo do dia anterior.
"Desculpar pelo o que?
"Como pelo o que? Por ontem!" - respondi.
"Por ter me beijado?"
" O que achas que seria? Estou até encabulado com essa situação."
"Porque não gostou?"
"Como não gostaria, Maria! ...Mas me diga, onde estão as festas? Vim para Bahia para poder conhecer a cultura, as danças tipicas, mamãe falava sobre suas viagens para cá, dizia barbaridades de alegria." - Começei a mudar de assunto, pois ja nao conseguia mais olha-la.
"Amanha talvez, vou dançar em uma festa aqui na rua, quero que venha me ver dançar!"
"Voce dança como as baianas? É isso baiana?"
"É, alguns acham que é, olhe como é a dança, não é como a de voces da cidade grande."

Ela dançou!
Mas que diacho de dança era aquela, nunca avistei tanta formosura, tanta beleza, não sei como pode, mas o som alto que vinha de fora a contagiava, mesmo ao conversar não parava de moxer-se, talvez eu ali louco para abraça-la e toma-la em meus braços. Sensualismo, Desejo era o que vinha a minha mente, aos meus olhos.

"Voce fica ainda mais bela dançando! Que minha mente nunca apague o que vejo.
Parou, prendeu os cabelos encaracolados e soltos esvoaçantes, sentou-se ao meu lado.
"Estoi tonta de tanto dançar!"
" E eu tonto de te ver" - Comentei
"Mas voce nao sabe dançar, mostre como se dança na sua cidade?"
"Não sei dançar e para ser sincero não gosto"
"Pare com essa vergonha, oche, levante!" - Dizia ela levantando-se, tentando me puxar.

Ela então o puxou com força, desajeitado cai, minha exaustão era tanta, que mal consiguia manter-me em pé. Sorria, sorria, pelo meu cair, baixo mais o bastante para me constranger.

Sempre a olhei de modo como se mostrava, timida, acanhada? Eis mais uma das questões. Mas ainda sim fui até o alem.
Seus olhos esverdeados estavam mais pertos dos meus, ela agaixou e subitamente jogou-se em mim, beijando-me, abraçando-me, e ainda sim acho que era sonho.

Por fim, mas uma vez passou. Ela levantou-se.

"É bom voce ir deitar, amanha terá que levantar cedo, não é?
"Antes de ir Maria, eu quero dizer que eu passo falar com tua tia pelo relacionamento que estamos tendo?"
"Não, não! É bom esperarmos um pouco."
"Tudo bem"
"Vamos ficar em segredo por enquanto. Dai podemos levar nosso relacionamento mais longe...Entao vá se deitar, pois eu ja estou cansada. - Assim seguiu para teu quarto.

O dia amanhece.
Lá fora ouvia-se os cantos dos passaros e os cacarejos dos galos

"Marta, Marta" - Exclamava a tia.
"O que aconteceu? Fica gritando! - Respondeu a visinha ao lado.
"Maria esta na ai? Sumiu, não diz onde vai"
"Nao esta não"
"Não sei porque some assim, desde quando Antonio morreu ela anda assim."
"Bom dia! Dona Josefá! O que preocura.
"Maria que sumiu!
"Maria? Mas ontem estava aqui?"
"Deve ter ido buscar pão. Ja tomou café, senhor Pedro?"
"Não se preocupe com isso, vou indo, apenas to procurando Jonathan que tambem sumiu e não o vejo ja desde ontem de noite. Por que diabos ele esta desaparecendo assim!"
"Olha Maria ali! Maria onde voce foi mulher?"
"Estava na praça um pouco tia, me deixa em paz!" - Respondeu ela.
"Pelo visto, Jonathan tambem estava na praça, olhe ele vindo! Jonathan da proxima, ve se avisa, pois os jornalistas estão nos esperando faz é tempo.
"Nem dormi por aqui hoje se quer saber, e voce fica ai babando para essa guria, não ve que esta perdendo o que tem de bom nessa cidade."
"Se não tem nada para fazer de melhor no resta da vida, paciencia.
"E como diz teu falecido pai, és tolo por falta de uma boa aguda burrice. - Disse, jogando tua real chacota.
"Para que iria se ainda vejo boas pessoas por aqui."
"Quem Maria? - Sorria ironico. " Como é burro, não ve que nao es santa nenhuma."
"Voce a conhece bem para falar isso?"
"É ver e perceber, se nao percebe é porque não qué! Santa, santa!Maria santa? só se for mãe de Jesus
" Porque essa afirmação, sabe de algo que não sei?"
"É melhor irmos, ou nosso bate-boca permanecerá ao seculo XIX"
"Antes disso, vou tomar um café"
"Como voces vão? Acabei de fazer um bolo."
"Como sempre deve estar otimo. - Falei"

Continua

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Um comentário:

  1. Há tempos que não passava em seu blog ;)
    Os textos estão ótimos, e eu aguardo a continuação!

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