quarta-feira, 27 de outubro de 2010

"Mais um final"

  

Para Guilherme

"Sinta alguma coisa"
e não pense em não acreditar.
Assim como o vento que sente e não vê

 

Final. Jamais acreditei no final, mas ... eles existem.
Finais sempre são tristes e deprimentes, algo de ter de continuar, algo de morte, tristeza e etc.
Passei por um final... daqueles bem trágicos, retratando vida e morte e nada mais foi comum aos meus olhos.

Tudo parecia inevitável, meu time de futebol favorito jogou mês passado, estava ansioso para assitir a tudo isso com a galera lá em casa, acabou não dando certo. Ninguem apareceu, não sei se foi por compaixão, fraternidade ou amor. Só pude saber de sua vitoria ao ouvir os gritos desesperados dos jovens e idosos nas ruas, prédios e derivados.

Mais uma vez, naquele mês fiquei sabendo que alguns amigos estava, organizando uma ida ao cinema, imperdivel, o filme que esperava assistir por dois anos de longas gravações, minha angustia era tanta em apenas imaginava o rosto desses personagem, as mudanças de visuais, falas e essa coisas como todo bom filme que se preze. Esperei tanto que o cinema ja tinha finalizado a sessão do filme,  nem soube do dia, nem a hora, nem mesmo o motivo deles não terem me chamado, não sei se foi por compaixão, fraternidade ou amor. Soube de alguns detalhes, pelas minhas vizinhas eufóricas comentando sobre o filme.

Mais uma vez, naquele mês foram jogar uma pelada aqui perto da rua, fiquei desesperado esperando para ver como ficaria a nova formação. Sofri para colocar toda aquela roupa ou simplesmente para saber o lado certo de cada uma, para milagrosamente adivinhar os pares, algumas coisas deram certo no final, consegui colocar o uniforme, mas acho que esqueceram de me avisar sobre o jogo. Não sei se foi por compaixão, fraternidade ou amor.

Mais uma vez, naquele mês a tão aguardada formatura de minha namorada, que acabaria de completar seus anos de estudo e formar-se como uma dentista, estava eufórica em exercer sua profissão o mais rapido possível e ter seu nome escrito em um daqueles cracházinhos dizendo "DRa Juliana Alves". As horas passaram e ninguem veio me buscar para estar pelo menos presente a essa tão esperada festa, realmente eu não esperava perder isso, mas perdi. Por amor não foi.

Uma vez em outro mês aguardei incansavelmente que ela viesse em casa como fazia sempre, fins de semana era sempre uma loucura. A unica namorada que eu sempre gostei, e não enjoei apesar de quase um ano de namoro. Infelizmente ela esqueceu de vim na semana, ela me ligou e avisou dando seus motivos, mas era visível, cansada com a temporada de seu novo trabalho, estava extremamente exausta.
Na próxima semana eu tambem esperei com a mesma ansiedade, pois sempre era bem escasso os momentos que nos ficavamos juntos, não sei o que acontece, mas ela não apareceu, dois dias depois ligou dizendo que tinha de viajar por uma semana com os teus chefes, coisas de trabalho e afins.
Tempo vai, tempo vem, ela não ligou nem para dizer um 'como vai", com o celular sempre desligado ou sem sinal, eram impossível a comunicação. Semana depois ela liga dizendo que não pode ligar, pois estava ocupada, contando de suas tarefas e desligou espontaneamente ou melhor caiu a ligação. As semanas passavam e ela não aparecia, nem no feriado, nem nos finais de semana, nunca mais apareceu.
No proximo mês resolveu ligar e dizer o que queria dentre um mês inteiro, não falou nada de mais, apenas sobre conhecer alguem diferente apaixonar-se e dizer para dar aquele tão ridiculo "tempo".

Semana passada, tentei fazer algumas coisas que não fiz dentre esses ultimos meses. Por compaixão, fraternidade e amor.

Embrulhei uma sacola numa bola e começei a chuta-la.
Tentei pela primeira vez ter uma percepção auditiva maior. Ouvindo o som dela indo e vindo, era o jeito para caminhar atras dela, passava entre um perna para a outra para tentar manter seu controle.

Um de meus amigos me contou todo o decorre do filme, apesar de não ter nehum livro sobre tal, era o jeito. Contou-me detalhes das caracteristica dos atores e cenários, recuperei mais uma parte perdida.

Lógico que algumas coisas não recuperei, ver o filme, ver a vitória de meu time, ter o amor de minha querida namorada novamente, mas algumas coisas, são realmente dificeis para nós.
Pobres e imcompreendidos aqueles cegos de mente e de coração.
Meu final valeu a pena, aprendi a sentir mais aquilo que nem com visão conseguia ver.
Hoje sou campeão Brasileiro de Futebol de Cinco.


Priscila Faria
Fatos reais

Um comentário:

  1. ótimo texto Priscila, deu outro nível ao nosso humilde bloguinho!

    Abraços

    ResponderExcluir