domingo, 17 de outubro de 2010

O que é punk?

Primeiro de tudo: eu sei. Eu sei que não entrei nenhum desses dias que prometi entrar pra escrever o diário do nosso Rorschach. Desculpem-me. E hoje o assunto não é Watchman.

"O que é punk" é um livro de Antonio Bivar, paulista e dramaturgo da marginália brasileira, lançado pela editora brasiliense e faz parte de uma coleção intitulada "Primeiros Passos". É de conhecimento dos leitores desse blog (Priscila e eu), que nós, autoras, somos punks, mas na verdade eu nunca busquei origem histórica mesmo conhecendo a história os precursores do movimento. E esse livro, trás o antes do punk, até a sua ascensão até sua queda, seja em Londres com Sex Pistols ou em São Paulo com Inocentes, e não só na música, como na moda, na literatura, filosofia, política e sobretudo nas atitudes. Explica a tão aclamada fama de 'vandalismo' que os punks receberam - injustamente - e como os garotos com tendências mazoquistas se aproveitaram desse slogan. O primeiro fanzine, Mark P., os primeiros punks no cinema, James Dean em "Juventude Transviada" o velho triângulo amoroso, divididos entre olhar estrelas e a incompreensão humana, uma atmosfera sufocante, criando o primeiro grito punk (embora transviado). Mark P., publica um artigo que pode ser lido como o manifesto de um pensador punk sobre a essência do movimento: "O punk quebrará todas as regras. Ele trará uma mudança que tornará o rock inglês muito excitante. Faz tempo que o rock vêm sendo um divertimento leve e, de tão seguro, já não amedronta mais os pais. O punk encherá de medo os fãs patéticos do rock que vêm se satisfazendo com merda há muito tempo. Anarchy (in the UK - Sex Pistols) é a música mais relevante dos últimos 12 anos. O punk não é só moda louca, é a realidade. Se as pessoas estão com medo do punk, a culpa é delas, porque elas não entendem a vida. A vida diz respeito ao concreto, ao fundo do poço, gente patética, aborrecida, e um índice de desemprego mais alto que nunca. O punk está ajudando a garotada pensar. É disto que todo mundo tem medo, porque existem muitos garotos pensando, atualmente. O punk reflete a vida como ela é, nos apartamentos desconfortáveis dos bairros pobres, e não o mundo de fantasia e alienação que é o que a maioria dos artistas criam. É verdade, o punk destruirá, mas não será uma destruição irracional. O que o punk destruir será depois reerguido com honestidade".
É a década da mudança.
Vale a pena ser lido. Aliás, é obrigatório que se leia esse livro. É um livro obrigatório para quem sabe pensar.


Juro, Rorschach não está esquecido, próxima postagem falamos dele.
Beijos.

Um comentário:

  1. Acho muito interessante o movimento punk, as músicas, as bandas, tais como Sex Pistols , Bad Religion, Ramones, New York Dolls, the clash, etc, ah!... ia me esquecendo da banda Restart (credo, brincadeirinha rsrsrsr). Já ouvi falar deste livro, mas nunca o li. Graças a a sua postagem sinto-me incentivada a lê-lo.
    Parabéns pelo tema.

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